domingo, 4 de dezembro de 2011

A Pele que Habito

   "Ao longo do filme, Almodóvar vai e volta no tempo construindo a historia de forma que as emoções do espectador fiquem sempre no ar, na expectativa do que pode acontecer no momento seguinte."
  
   Esta fala, este pequeno cometário feito por Roberto Guerra, crítico do CineClick, descreve, quase que perfeitamente toda a genialidade deste novo filme do sagrado Almodóvar, que, fugindo da sua cinematografia tenta inovar o cinema mundial criando um filme de terror sem filmes, sangues, monstros, maldições ou espíritos, mas apenas mechendo com o imaginário do espectador, levantando sempre a questão: "E se isto acontecesse comigo?" Criando para nós, quase que imediatamente a ilusão de estar no lugar do personagem principal do filme, o que causa muito, mas muito terror mesmo.
  
   O Filme trás o clássico Antonio Banderas como uma espécie nova de Dr. Frankenstein, o Cirurgião plástico Robert Ledgard, um cientista muito bem-sucedido, que ao perder sua esposa em um trágico acidente(Ela morrera completamente carbonizada) começa sua busca pela pele perfeita que a teria salvado de tal destino terrível, usando quaisquer métodos, inclusive a trangênese(Cruzamento Genético) o que é proibido pela comunidade científica, e experiencias em humanos, o que também é proibido.
  

   Talvez seja a primeira, ou a última fala do filme, que concretizam a genialidade monumental do filme, deixando aberto para nós os acontecimentos posteriores àquelas falas, e mostrando-nos que o que quer que imaginemos estava errado, criando não só uma, mas inúmeras reviravoltas durante os acontecimentos, indo e voltando no tempo várias vezes. A história lembra a antiga e esquecida lei do Karma, que refere-se à Roleta Gigante das Ações, onde uma boa ação trás uma boa ação, e uma má, trás ela mesma de volta para o conjurador, mostra também os efeitos psicológicos, e mudanças de comportamento que "certos acontecimentos" fazem aos personagens, levando-os à loucura, furia, e até mesmo criando uma pessoa totalmente nova, em cima de um ser que fora esmagado por sua pele.


   Juntamente com o Karma, o filme levanta a questão do "Por que", que está presente no dia-a-dia, ou devo dizer, no segundo-a-segundo de todos nós: "Por que isto está acontecendo comigo?" "Por que isto não aconteceu comigo, se eu queria tanto?" Levantando também a debatendo da tese de que os seres humanos são apenas eles, desde o dia em que nasceram, que sua personalidade, valores e ideais são imutáveis, uma vez que criados por ele mesmos, mas, e se algo muito importante for mudado? Se algo, que seja de extrema importancia for mudada em um ser humano, será que ele muda? Seus ideais, comportamento, valores e instintos mudam, assim como muda o fator ideal do ser, criando um novo humano, um alter ego que toma total controle sobre o cérebro, sangue e corpo de alguém.


"Soy Vicente..." Pode ter sido a fala mais genial de Almodóvar.

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