
A música retrata a importância do dinheiro para a sociedade atual e como ele influencia a conciência, a virtude e a moral das pessoas. Mostrando o lado desconhecido, mesquinho ou materialista de nós mesmos
e que não percebemos, fazendo uma critica direta ao consumismo e á necessidade de dinheiro e o quanto ele é valorizado. Além disso, fala de egoísmo e ambições fúteis. A música critica muito os valores que a sociedade assumiram ao deixar fazer com que o dinheiro seja maior que sua conciência, e assim fazem de tudo para
obtê-lo. ''As pessoas querem maldizer o dinheiro, querem r
ecomendar o afastamento daquela entidade “demonizada”: “Dinheiro, liberte-se”; “Dinheiro, afaste-se”; “Dinheiro, é crime”. Mas quando você passa para o verso seguinte àquele que abre cada estrofe, percebe que a idéia é totalmente contrária. Ou seja: cada frase de efeito é usada, na verdade, para demonstrar o apego ao dinheiro. E é assim que Waters, com ironia e competência, retrata aquela hipocrisia das muitas pessoas que, da boca pra fora, dizem “odiar” o dinheiro, quando, no fundo, veneram.
Val Marchiori, socialite brasileira chega a gastar R$ 75 mil reais numa única tarde de compras.
Imaginamos que a letra está sugerindo que devemos nos libertar, ou, fugir do dinheiro”. Mas eis que vem o segundo verso emendando: “arranje um bom emprego com o maior
salário que você fica legal”. Ou seja: a idéia do “liberte-se” transforma-se em “o dinheiro é que nos liberta”. O verso seguinte releva o dinheiro como alavanca universal: “Dinheiro, é combustível”... Assim sendo, como o mundo é fomentado pelo dinheiro, devemos agarrá-lo “com ambas as mãos” – pouco importando como... A chave para entendermos a dimensão da ganância e egoísmo – e as possíveis ilicitudes dos ganhos – está na recomendação seguinte: “esconda o dinheiro”. Assim, será possível todos os ícones da luxúria: carro novo, caviar, casas cinematográficas, cruzeiros dos sonhos etc. Por fim, vem a idéia da compra de um time de futebol. Em primeiro lugar, já naquela época (início dos anos setenta) o esporte inventado pelos ingleses já se configurava como uma paixão mundial ao mesmo tempo dispendiosa e (aparentemente) supérflua – já que o futebol, direta ou indiretamente, sempre movimentou fortunas. Não bastasse isso, o futebol é reconhecidamente uma das maiores fontes de lavagem de dinheiro. Se é verdade que tal realidade é algo bem antigo para o direito tributário, também é verdade que a lavagem de dinheiro no futebol é algo relativamente novo para a mídia. Na segunda estrofe, vem outro recado: “Dinheiro, afaste-se”. Tal qual na primeira estrofe, quando começamos a imaginar que a letra sugere que “devemos nos afastar do dinheiro”, o verso seguinte nos dá uma idéia totalmente diferente: “afaste-se da ‘minha’ grana, seu peão”. Neste caso, a idéia lembra-nos a teoria marxista da mais-valia; da exploração da força de trabalho que suscita a lógica que, para a existência de um milionário, é necessária a existência do miserável. Assim, para a possibilidade do carro zero, caviar e os luxos citados na primeira estrofe é necessário que se tenha por perto um ‘jack’ (trabalhador de baixa renda; um ‘peão’ no nosso linguajar) com seu “trabalho honesto, sofrido e mal remunerado” – e desde que este ‘jack’ se mantenha longe da grana.
Os quatro últimos versos da estrofe mostram que o dinheiro, enfim, é sinônimo de sucesso exatamente porque é segregante. Assim, o sucesso, certam
ente, nunca chegará a quem “rala” para ganhar uns poucos trocados. O sucesso, isto sim, só chega para aqueles que experimentam o conforto das áreas VIP; que viajam de primeira classe. Uma vez que é imprescindível aos gananciosos marcar cada vez mais sua posição social, ou, sua superioridade (financeira), por que então não comprar logo um avião particular?
Na terceira estrofe, temos: “Dinheiro, é um crime”. E repete-se a lógica contraditória das outras duas estrofes, só que desta vez imbuído por um cinismo: quando passamos para o verso seguinte, constatamos que o crime, na verdade, é não repartir o dinheiro com justiça; e uma vez repartido, crime também é meter a mão na grana alheia. Este desfecho reproduz claramente o cinismo do patronato: “é preciso repartir o bolo (justiça social), mas desde que não metam a mão no meu naco (fortuna)”. Ou seja: nesta lógica, nunca haverá justiça social. E os dois últimos versos dizem exatamente isto: “eles” (o patronato) dizem que o dinheiro é a fonte de toda a desgraça do mundo; mas se você for pedir para “eles” um aumento, é claro que eles não vão te dar. Tal lógica é bem sintetizada num utópico dito popular: 'Se dinheiro não traz felicidade, dê-me o seu e seja feliz'. '' Fonte: Blog Letras Incertas

Foto da Banda. (Da esquerda para direita: David Gilmour, Roger Waters, Nick Manson e Rick Wright.)
Parte da tradução e da letra:
Money
MONEY
Composição: Roger Waters
Money, get away
Get a good job wit
h more pay and you're o.k.
Money it's a gas
Grab that cash with both hands and make a stash
New car, caviar, four star daydream
Think I'll buy me a football team
Money get back
I'm all right jack keep your hands off of my stack
Money it's a hit
But don't give me t
hat do goody good bullshit
I'm in the hi-fidelity first class travelling set
And I think I need a Lear jet
Money it's a crime
Share it fairly
but don't take a slice of my pie
Money so they say
Is the root of all evil today
But if you ask for a rise it's no surprise that they're
giving none a
way
Tradução
Dinheiro
Dinheiro, liberte-se
Arranje um bom emprego que pague mais e você fica legal
Dinheiro, é combustível
Agarre a grana com as duas mãos e esconda-a
Carro zero, caviar, luxos de sonhar acordado
Acho que vou
comprar para mim um time de futebol
Dinheiro, afaste-se
Estou limpo, peão, mantenha suas mãos longe da minha gra
na
Dinheiro, é sucesso
Mas não me venha com essa babaquice de dinheirinho suado
Eu me
tornei um contumaz viajante de primeira classe
E acho que preciso logo de um jatinho
Dinheiro, é um crime
Reparta-o com justiça, mas não se meta com a minha fatia do bolo
Dinheiro,
como dizem por aí
É a raiz de todos os males atualmente
Mas se você pede um aumento é claro que eles não vão dar.
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